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Paróquia Nossa Senhora das Angustias

Na História...

Angústias

A paróquia começou no momento em que os primeiros povoadores acompanhados pelo Capitão-do-Donatário, Josse Van Huertere, chegaram à baia, desembarcaram no areal junto ao monte e ali celebraram a primeira missa, em acção de graças, abençoaram os campos e fixaram as suas moradias com um pequeno templo levantado à Santa Cruz, com uma imagem da Senhora das Angústias, com um painel em madeira , retractando a descida de Cristo da Cruz, em 1468. Foi a primeira casa de oração, que se levantou na Ilha, sobre o areal, para comemorar a desembarque e unir todos no mesmo afecto a Deus e à terra que iam desbravar. As primeiras habitações ali surgiram com os primeiros caminhos d penetração na Ilha e as primeiras tarefas de organização social e comunitária, distribuindo as terras em sermos, talhões de terreno do mar à serra, que cabiam a cada família.

Ali, também, o primeiro Capitão levantou o seu solar em frente da Ermida de Santa Cruz e ocupou aqueles terrenos até ao lugar de Santa Barbara, onde um Pero Pasteleiro, perito na cultura do Pastel e flamengo, com a esposa fez casa e Ermida à sua patrona Santa Barbara e iniciou a cultura do Pastel, que até finais do século XVII, fez correr rios de dinheiro das Republicas do Norte da Europa, que ali tinham grandes fabricas de tecidos, coloridos com o pastel.

Aqui; no reduto, entre as duas baias da Horta e Porto Pim, foi delineada a vila do Senhor Huerter, que lhe deu o nome. Depois a Vila foi fixar-se ao fundo da baia, por razões políticas, maior abrigo dos ventos do Norte e por correr ali a ribeira que vem do Vale dos Flamengos. Mas o porto, que foi sempre o coração da Vila, por onde respiravam os seus pulmões nas linhas comerciais com Lisboa e Flandres, levando o trigo, o pastel, o vinho e a laranja, ficou sempre ali em Porto Pim com duas baias, uma a Norte e outra a Sul, as mais abrigadas e confortadas por lombas e montes, que deram aos Açores o melhor porto das Ilhas, diz Gaspar Frutuoso, cronista do arquipélago.

Em Porto Pim, onde ficaram as primeiras estruturas sociais e o templo por muitos anos ainda ficou a ser a única paróquia na Ilha, com seu capelão como era projecto do Infante Dom Henrique, o povoador, que determinou e impôs por muito tempo um padre e uma igreja em cada Ilha.

A administração e o poder espiritual das Ilhas correu então pela mão da Ordem de Cristo de Tomar e os seus freires para aqui vieram paroquiar.

Correram anos, até que nos fins do século XV se foram organizando as primeiras paróquias com 25 vizinhos e pela bula de 21 de Junho de 1481, o Papa Sixto IV autoriza a criação das ouvidorias em cada Ilha, excepto no Corvo, para facilitar o exercício da jurisdição, mas só em 1486 aparece a primeira nomeação eclesiástica com relação à vigararia do Santíssimo Salvador de Angra do Heroísmo, na pessoa de Frei Luís Nunes, Capelão da Infanta D. Beatriz, mulher do Infante D. Fernando, titular da casa de Viseu e dos Arquipélagos dos Açores e Madeira.

Então surgiu a ouvidoria da Horta e a construção da sua Matriz, que deve ter terminado em 1515, pois em 1514 recebem-se na Horta, os paramentos guisamentos para a mesma, com o retábulo manuelino do Santíssimo Salvador.

A pequenina Ermida de santa Cruz, perde então o titulo e a missão de paroquial e volta a ser apenas Igreja particular da Primeira Capitoa, D. Brites de Macedo, que ficara viuva em 1595, no solar do Capitão em Porto Pim, com seu capelão e criados. Mas em 1527 determina-se a reconstruir a Ermida muito maior e com casa para capelão, com rendimentos para sobreviver, como declara no seu testamento de 1527 e 1531. Chama-lhe Igreja de Santa Cruz, mas não deveria ter sido muito grande, porque os seus recursos não eram muitos, dado que criara e dotara um bom numero de filhos.

Nesta Igreja de Santa Cruz, instituira ela também o culto à pequenina imagem da Senhora das Angústias, havendo certa probabilidade da bela imagem que temos hoje, estilo Renascença, ser obtida em Lisboa, pouco depois para a dita Igreja. O certo é que nos finais do século XVI, empobrecida a família e descendentes do primeiro Capitão-do-Donatário, o povo do lugar do Porto Pim que foi crescendo para os lados do Pasteleiro toma conta do pequeno templo e faz várias tentativas para o ampliar e reparar à sua conta. è assim que o vem encontrar em 1664 o visitador eclesiástico Doutor António da Cunha e Silveira tendo os fregueses do Porto Pim e Pasteleiro, num total de 163 fogos, solicitado a constituição de uma nova paroquia dado a distancia de mais de uma légua para a Matriz do Santíssimo Salvador da Horta, ficando a mesma definida a partir de S. Francisco para a parte Sul na Ermida de Nossa Senhora das Angustias, na data de 31 de Dezembro de 1664.

Foi seu primeiro pároco, empossado em 1665, o Padre Amaro da Silva, com a obrigação de construir a nova Igreja, que foi substituída pela actual em 1800, vindo a completar-se em 1961, "sendo toda a Igreja soalhada e reparada; construiu-se a coro e as torres".